quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A Era Collor - Atividade Nono Ano


“(...)Mesmo em um país acostumado às vertigens políticas, o que se passava desde maio de 1992 definitivamente não era normal. De fato mais parecia um roteiro da série de TV Dallas, cheia de cobiça e corrupção, intriga e morte. Ainda assim, se alguém apresentasse tal enredo para os chefões de Hollywood, provavelmente teria seu trabalho recusado pela inverossimilhança da trama e pelo fato de parecer um dramalhão mexicano.
Em linhas gerais, a story line era a seguinte: em certa república sul-americana, um jovem e promissor candidato, de tendência neoliberal, concorre à presidência contra um ex-líder sindical ligado ao movimento operário. Obtém o apoio da elite nacional e, para administrar os polpudos donativos de campanha, convida um velho amigo, o ex-seminarista e vendedor de carros usados antes conhecido como “Paulinho Gasolina”. Depois de uma campanha acirrada – durante a qual afirma que, se o ex-operário vencer, vai “confiscar a poupança do povo” – o jovem e bem-apessoado candidato acaba vencendo por pequena margem de votos. No dia seguinte à posse, o novo presidente e sua ministra da Fazenda anunciam um plano de combate à inflação, em nome do qual bloqueiam o dinheiro depositado em todas as poupanças e contas correntes de todos os bancos do país.
À sombra do palácio do governo se instalaria então uma vasta rede de corrupção e negociatas, na qual projetos só andam se movidos a propina. No instante em que a incredulidade parece dominar a nação, o irmão mais moço de presidente decide, por motivos insondáveis (inveja? Vingança? Revolta pelo suposto assédio que o irmão teria feito a sua bela esposa?), denunciar “Paulinho Gasolina” (que ele mesmo apresentara ao irmão) como chefe da quadrilha que se apoderara dos cofres públicos. A mãe defende o presidente e diz que o filho mais moço é desequilibrado mental e o afasta das empresas da família. Exames médicos provam que o caçula não está louco e as denuncias, depois de averiguadas, desvendam um gigantesco esquema de corrupção que acaba de envolver o presidente, que é afastado do cargo.
Enquanto multidões saem às ruas com a cara pintada exigindo a renuncia, a mãe do presidente entra em coma, a cunhada se torna a “musa do impeachment” e o irmão morre de câncer na cabeça. O ex-tesoureiro foge do país e é preso na Tailândia. O presidente sofre impeachment, mas se livra da prisão. Depois de alguns meses na cadeia, “Paulinho Gasolina”(cuja mulher morrera nesse meio tempo) é solto, mas logo aparece morto, supostamente assassinado pela namorada (ou junto com ela?) que conhecera em visitas intimas na cadeia. No dia do crime o jovem presidente e a esposa (também envolvida em desvios de verbas públicas e com a qual ele se reconciliara depois de tê-la humilhado em público e deixado de usar aliança) estavam em uma ilha do Taiti, vestidos de havaianos e sorrindo para as câmeras.
Para piorar as chances de aprovação em Hollywood, o suposto roteiro é uma obra aberta, ou seja, ainda não tem fim. Quem matou o tesoureiro? Onde estão os (talvez) US$ 2 bilhões roubados? Com que recursos vive o ex-presidente? Quais as cenas dos próximos capítulos? Independente do desfecho e de quais venham a ser as respostas (se é que algum dia elas existirão), a Era Collor se configura como um dos mais negros capítulos da história política do Brasil.
Uma época que seria cômica se não fosse trágica.”




Retirado de "Brasil: Uma História", de Eduardo Bueno.




Atividade - Identifique os personagens descritos acima, elaborando um pequeno texto sobre os principais acontecimentos do governo Fernando Collor.


Respostas deverão ser enviadas para o email profandrecarreira@hotmail.com

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Crise financeira nos EUA


A atual crise financeira iniciada nos EUA nos remete a um outro período bastante conturbado da economia norte-americana e por tabela, da economia global.

Em 1929, a quebra da Bolsa de Valores de Nova York provocou a maior crise financeira do século XX.

A produção industrial dos Estados Unidos no início do século XX atingiu níveis nunca antes vistos. Os investimentos durante a Primeira Guerra Mundial e a reestruturação dos países europeus no pós-guerra aumentou ainda mais essa produção. No entanto, alguns fatores contribuíram para que o sonho se tornasse um pesadelo. O aumento da produção não veio acompanhado de um aumento nos salários. Crescia a concentração de renda e a maior parte da população não possuía grande poder de consumo. Além disso, a crescente mecanização nas indústrias fazia explodir o desemprego. Para piorar a situação, a reestruturação dos paises europeus durante a década de 1920 fez com que as exportações dos EUA para esse continente diminuíssem sensivelmente.

Os EUA produziam demais, mas já não haviam tantos compradores como antes. Essa crise de superprodução é apontada como o fator primordial para a crise de 1929.

Cerca de 4 mil bancos e 85 mil empresas faliram nos anos seguintes à crise. Mais de 4 milhões de pessoas ficaram desempregadas.
Um profundo corte nas importações e a repatriação de capitais norte-americanos espalhados pelo planeta geraram crise em todo o mundo capitalista.


Solução para a crise


Apesar da gravidade da crise, o governo dos EUA só tomou uma atitude de fato em 1933, com a adoção das políticas do New Deal, implementadas pelo presidente Frank Delano Roosevelt e baseadas nas teorias do economistas John M. Keynes. Essa medidas tinham como característica a forte intervenção do Estado na economia, com a criação de obras públicas no combate ao desemprego e no surgimento do Welfare State, com programas de aposentadorias e seguro-desemprego subsidiadas pelo Estado. Se antes, o Estado não interferia na economia, deixando tudo agir conforme o mercado, agora passaria a intervir fortemente.

A equação era mais ou menos essa:


Elevação do índice de emprego = Expansão da massa salarial = Aumento do consumo = Reativação da produção industrial

Relação com a crise atual


A atual crise iniciada com a falência de duas grandes empresas do ramo hipotecário (Fannie Mae e Freddie Mac) nos EUA apresenta uma relação interessante com a crise de 1929. Naquela ocasião, no auge do liberalismo econômico (que defende a não intervenção do Estado na economia), o governo dos EUA demorou quase 4 anos para tomar a frente no processo de contenção da crise. Agora, em 2008, o governo dos Estados Unidos e de muitos outros países logo tomaram as rédeas da situação, iniciando enormes operações de resgate financeiro de empresas atingidas pela crise. A intervenção do Estado se mostrou imprescindivel na tentativa de conter a crise.


Apesar disso, a turbulência parece longe do seu fim.

Para saber mais sobre outras grandes crises econômicas da história, acesse:
Para entender como o mundo está reagindo a essa atual crise financeira acesse:

domingo, 12 de outubro de 2008

Saiba Mais: Eleições nos EUA


As eleições presidenciais de 2008 nos Estados Unidos acontecem no próximo dia 4 de novembro. Nesse dia será eleito o sucessor de George W. Bush, do Partido Republicano. A disputa será entre o senador por Illinois, o democrata Barack Obama, e o senador pelo Arizona, o republicano John McCain.


Entenda o processo eleitoral nos EUA:


Estágios iniciais
Um político com ambições presidenciais costuma formar um comitê exploratório para testar suas chances e arrecadar fundos para uma campanha, às vezes até dois anos antes da eleição.
Depois, declara formalmente sua candidatura à indicação de seu partido e inicia campanha em Estados cruciais.

Eleições primárias
A temporada das primárias começa em janeiro e dura até junho. Nesse processo, os candidatos lutam dentro dos principais partidos --o Republicano e o Democrata-- pela indicação para concorrer à Presidência.

Eleitores em cada um dos 50 Estados americanos elegem delegados partidários que, na maioria dos casos, prometeram apoiar um determinado candidato. Para escolher os delegados, alguns Estados usam uma prévia, ou caucus - -sistema de reuniões políticas--, ao invés de uma primária, que é uma votação por meio de cédula.


A convenção partidária
É nas convenções partidárias nacionais, realizadas poucos meses antes da eleição presidencial, que os candidatos à Presidência são indicados formalmente.
Delegados escolhidos durante as primárias estaduais escolhem os indicados, embora neste estágio o partido normalmente já saiba quem ganhou.
Na convenção, o candidato vitorioso escolhe o vice para a sua chapa, por vezes entre os candidatos derrotados na convenção.

A reta final
Só depois das convenções nacionais é que os candidatos medem a força um do outro. Há grandes gastos em propaganda e intensa campanha de Estado em Estado. Os debates entre candidatos na televisão também atraem muita atenção. Eles podem envolver postulantes independentes, mas isso não é obrigatório.
Nas semanas finais antes do pleito, os candidatos costumam concentrar sua atenção nos grandes Estados onde há indecisão.

A eleição presidencial
A eleição presidencial americana é realizada sempre na primeira terça-feira de novembro. Em 2008 será em 4 de novembro.
Tecnicamente os eleitores não participam de uma eleição direta. Eles escolhem "eleitores" que se comprometem com um ou outro candidato e formam um Colégio Eleitoral.
Cada Estado tem um determinado número de eleitores no colégio, baseado no tamanho de sua população.
Em quase todos os Estados, o vencedor do voto popular, mesmo que por uma margem mínima, leva todos os votos do colégio eleitoral daquele Estado.
Por causa deste sistema, um candidato pode chegar à Casa Branca sem ter o maior número de votos populares em âmbito nacional, como aconteceu no pleito de 2000, quando George W. Bush venceu ao Al Gore, mas teve um número de votos menor.

Adaptado de matéria da BBC Brasil

Para mais informações sobre o processo eleitoral acesse: http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowEspeciais!destaque.action?destaque.idEspeciais=740

Para saber mais sobre os dois candidatos acesse: http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowEspeciais!destaque.action?destaque.idEspeciais=633