terça-feira, 30 de setembro de 2008

Saiba Mais: O 11 de Setembro no Chile


11 de Setembro.

Quando lembramos dessa data, pensamos logo nos atentados ocorridos nos Estados Unidos em 2001, em especial nas torres gêmeas do World Trade Center em Nova York.
Mas muitos anos antes, também em um 11 de setembro, acontecia um dos episódios mais sangrentos da história da América Latina.
Em 1970, a população do Chile havia escolhido o médico Salvador Allende(na foto ao lado) como seu novo presidente. Allende era o representante da Unidade Popular, uma aliança de socialistas, comunistas e cristãos de esquerda. Ele foi o primeiro presidente marxista eleito democraticamente em um país latino-americano.

Seu governo iniciou uma reforma agrária, nacionalizou diversos bancos estrangeiros e introduziu programas de natureza social, como alfabetização, melhoria no sistema de saúde pública e na área de saneamento básico.
Como conseqüência, Allende passou a sofrer uma campanha de desestabilização promovida pelos Estados Unidos (temendo um avanço do comunismo na região), que financiaram manifestações e a criação de grupos de oposição ao governo.
Apoiados pela CIA, militares chilenos atacaram o palácio presidencial de La Moneda, em Santiago, no dia 11 de Setembro de 1973. Ao que tudo indica, Salvador Allende, cercado pelas tropas do Exército, teria se suicidado em La Moneda no mesmo dia, utilizando uma arma que havia recebido de presente anos antes do amigo Fidel Castro.
O poder passa então ao general Augusto Pinochet, que logo dissolve os partidos políticos e implanta uma brutal ditadura que fez milhares de mortos. O Estádio Nacional de Santiago, utilizado para partidas de futebol, foi usado como campo de concentração, onde muitos opositores do regime foram torturados até a morte.
Pinochet governou até o ano de 1989, e morreu no dia 10 de Dezembro de 2006, aos 91 anos. Dia 10 de dezembro, curiosamente, conhecido por ser o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Saiba Mais - 40 anos do Maio de 1968


Em Maio de 68, a França concentrou em um mês as transformações sociais de uma década que já ocorriam nos Estados Unidos e em países da Europa e da América Latina.
Em 30 dias, os estudantes criaram barricadas, formando verdadeiras trincheiras de guerra nas ruas de Paris para confrontar a polícia. Mais do que isso, os jovens tiveram idéias e criaram frases tidas como as mais "ousadas" da segunda metade do século 20.
Em discursos nas ruas e nas universidades, em cartazes e muros, os estudantes franceses deixaram as salas de aula e se mobilizaram para dar a seus professores, pais e avós, e às instituições e ao governo "lições" sobre os "novos tempos, a liberdade e a rebeldia".

"O que queremos, de fato, é que as idéias voltem a ser perigosas", diziam os integrantes do grupo de intelectuais de esquerda chamado de "Internacional Situacionista", entre os quais o mais destacado foi Guy Debord.

A França dos anos de 1960, sob o comando do general Charles De Gaulle, era uma sociedade culturalmente conservadora e fechada, vivendo ainda o reflexo das perdas sofridas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Nas escolas francesas, as crianças eram disciplinadas com rigidez. As mulheres francesas tinham o costume de pedir autorização aos maridos para expressarem uma opinião, e a homossexualidade era diagnosticada pelos médicos como uma doença.
O Maio de 68 mudou profundamente as relações entre raças, sexos e gerações na França, e, em seguida, no restante da Europa. No decorrer das décadas, as manifestações ajudaram o Ocidente a fundar idéias como as das liberdades civis democráticas, dos direitos das minorias, e da igualdade entre homens e mulheres, brancos e negros e heterossexuais e homossexuais.
O Maio francês rapidamente repercutiu em vários países da Europa e do mundo, de uma forma direta e imediata. As ocupações de universidades se multiplicaram a partir da França, e ocorreu a expansão das mobilizações entre os trabalhadores europeus e latino-americanos, em muitos casos em aliança com os estudantes.

Ocupações e Barricadas

O movimento francês teve início na Universidade de Nanterre, nos arredores de Paris, que foi cercada no final de abril por estudantes liderados por Daniel Cohn-Bendit. O protesto dos estudantes logo se dirigiu à capital.
Em 5 de maio, cerca de 10 mil estudantes entraram em choque com policiais no bairro laitino Quartier Latin, em Paris, em um protesto contra o fechamento de outra universidade francesa, a Sorbonne, em Paris.
Em seguida, em 10 de maio, ocorre a Noite das Barricadas, quando 20 mil estudantes enfrentaram a polícia nas universidades e ruas de Paris.
No dia 13, estudantes e trabalhadores franceses unificam seus movimentos e decretam uma greve geral de 24 horas em Paris, em protesto contra as políticas trabalhista e educacional do governo do general De Gaule.
No dia 20, a mobilização atinge seu auge: Paris amanhece sem metrô, ônibus, telefones e outros serviços. Cerca de 6 milhões de grevistas ocupam as 300 fábricas da França.
A Universidade de Sorbonne, ocupada pelos estudantes, começa uma outra batalha, em que as maiores "armas" foram as palavras. Surgiram frases que expressavam a política "libertária" desejada pelos jovens universitários: "A imaginação ao poder", "É proibido proibir", "Abaixo a universidade" e "Abaixo a sociedade espetacular mercantil".

Mundo
É difícil precisar quais acontecimentos e protestos em outros países foram conseqüência direta do maio francês. Na Europa, Espanha, Alemanha Ocidental e Itália já viviam dias de conflitos em universidades desde o início do ano de 1968. Na Alemanha, por exemplo, uma tentativa de assassinato, em 11 de abril, do líder estudantil Rudi Dutschke aumentou a tensão em Berlim, e a revolta se espalhou por dezenas de cidades.
No entanto, após a explosão do maio francês, os conflitos se intensificaram.
A Universidade de Madri, na Espanha, foi fechada pelo governo no fim do mês de maio. A polícia reprimiu violentamente estudantes e operários.

Na Universidade de Frankfurt (Alemanha), estudantes da esquerda e da direita entraram em choque. Em Milão (Itália), já em junho, estudantes tomaram a sede de um jornal, impedindo sua circulação.
A juventude de países do Leste Europeu como Polônia, Tchecoslováquia e Iugoslávia, por sua vez, protestava pelo afrouxamento do comunismo de influência soviética, para eles, demasiado "rígido e burocrático".
Na Iugoslávia, 20 mil estudantes tentaram ocupar as universidades do país em junho.
Na Polônia, intelectuais e estudantes protestaram, em março, contra a proibição de uma peça de teatro considerada anti-soviética.As greves em massa nas universidades foram reprimidas com violência.
Na Tchecoslováquia, o dirigente comunista Alexandre Dubcek introduziu, em abril, uma tímida liberdade, e falou de um "socialismo humano". Os tanques do Pacto de Varsóvia acabaram, em agosto, com a esperança suscitada pela Primavera de Praga.

Frases do Movimento

"Sejam realistas, exijam o impossível!"
"A imaginação ao poder"
"É proibido proibir"
"As paredes têm ouvidos, seus ouvidos têm paredes"
"A política passa-se nas ruas"
"A revolução deve ser feitas nos homens, antes de ser feita nas coisas"
Adaptada de matéria de Ébano Piacentini, da Folha Online.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Saiba Mais - As Farc


As Farc, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, surgiram no início dos anos 1960, após o episódio conhecido como "Bogotaço", revolta popular que se seguiu ao assassinato do candidato à presidência Jorge Eliécer Gaitán.

Gaitán, político do Partido Liberal, contava com amplo apoio popular nas eleições de 1949 e seria, ao que tudo indica, eleito presidente nesse mesmo ano, sucedendo ao conservador Mariano Ospina Pérez. No entanto, no dia 9 de abril de 1948, Gaitán foi assassinado perto de seu escritorio de advocacia em Bogotá, capital colombiana.

Após a divulgação de sua morte, explode uma violentíssima revolta popular, que destrói grande parte da cidade. A revolta que começou no centro da cidade se espalhava por toda capital e para várias outras cidades da Colômbia.

Estavam jogadas as sementes para a criação da Farc.

As Farc foram fundadas por Manuel Marulanda, o Tirofijo, como um grupo guerrilheiro de inspiração comunista, ligado ao Partido Comunista Colombiano, tendo como principal objetivo a implantação do socialismo na Colômbia.

No entanto, a partir dos anos 1980, a guerrilha passou a se financiar com sequestros e dinheiro proveniente do narcotráfico.

As Farc afirmam defender a população pobre na luta contra as classes favorecidas colombianas e se opõem à influência dos Estados Unidos na região, particularmente ao Plano Colômbia, criado no ano 2000 pelo governo dos EUA como uma forma de ajuda financeira e militar no combate ao narcotráfico e às guerrilhas de esquerda, como as Farc.

Estima-se que em meados dos anos 1990, o grupo guerrilheiro tenha obtido controle sobre cerca de 45% do território colombiano. Esse número se reduziu bastante nos últimos anos, principalmente na administração do atual presidente colombiano, Álvaro Uribe, que, com a ajuda dos EUA, vem combatendo ferozmente as Farc.

O ano de 2008 trouxe as Farc novamente aos noticiários de todo o mundo. Na primeira metade do ano, Raul Reyes, porta-voz da guerrilha, é morto em uma ação do exército colombiano. Menos de um mês depois, Manuel Marulanda, líder máximo do movimento, morre devido a um ataque cardíaco na selva colombiana. Em julho, a senadora Ingrid Betancourt, sequestrada desde 2002, é libertada pela guerrilha.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Sejam bem-vindos!!!

Sejam bem-vindos ao nosso blog. Com a criação desse novo mecanismo de aprendizagem (saindo do cotidiano em sala de aula ), procuro estimular a discussão de assuntos atuais e dos fatos históricos que os precederam. Conto com a sua participação e com as suas sugestões sobre os assuntos tratados nesse espaço.
Lembre-se: esse blog não pertence ao professor, pertence a todos nós.
Comentários podem ser postados no blog ou enviados para o email profandrecarreira@hotmail.com
Abraço a todos.

Charges Angeli



Faça um breve texto, relacionando as duas charges expostas acima.