sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Irã e a questão nuclear


A história da bomba atômica no Irã
por Gustavo Chacra, Estadão Online


Os primeiros inimigos


O Irã possuía três inimigos em suas fronteiras. De um lado, o Taleban, que governava o Afeganistão, e a Al Qaeda, a quem os afegãos concediam abrigo. Do outro, estava Saddam Hussein, no Iraque. Este cenário durou até ocorrer o 11 de Setembro e os Estados Unidos ajudarem indiretamente o Irã ao derrubar do poder seus rivais. Melhor, colocou no lugar administrações simpáticas a Teerã, com Hamid Karzai, no Afeganistão, e uma coalizão controlada por xiitas, no Iraque.
A Al Qaeda é inimiga do Irã por questões religiosas. Sunita, a rede terrorista considera os xiitas infiéis. O regime de Teerã, assim como a maioria dos iranianos, seguem a corrente xiita, e, por sua vez, consideram os sunitas infiéis. O Taleban também é sunita, se encaixando no mesmo perfil da Al Qaeda. Some-se à questão religiosa as disputas territoriais que quase levaram afegãos e iranianos a uma guerra no fim dos anos 1990. Para completar, os pashtus compõe a maior parte do Taleban, enquanto o Irã concede apoio a etnias mais fracas.
Saddam Hussein travou uma guerra de dez anos com o Irã nos anos 1980. Foi o mais sangrento conflito do século 20 no Oriente Médio, matando bem mais pessoas do que todas as disputas entre árabes e israelenses. Nesta guerra, os iranianos introduziram a prática dos atentados suicidas justamente contra soldados iraquianos. Antes disso, um muçulmano xiita jamais havia se matado. Os sunitas demorariam um pouco mais.
Irã e Iraque possuíam disputas territoriais. A questão religiosa não teve tanta importância. Por mais que tenha combatido xiiitas nos anos 1990 e tenha nascido sunita, Saddam não tinha religião. Seu vice, Tariq Aziz, era cristão caldeu. O problema com o Irã era territorial e o expansionismo do líder iraquiano. Foi uma guerra nacionalistas. Aliás, xiitas iraquianos, no Exército de Saddam, combateram xiitas iranianos. Afinal, eles são árabes, não persas.


O expansionismo e as ameaças externas


Sem o Taleban e Saddam, o Irã se sentiu mais livre, podendo levar adiante sonhos expansionistas para o Oriente Médio. O regime de Teerã intensificou seu apoio ao grupo xiita libanês Hezbollah, concedeu apoio a organizações xiitas no Iraque e, nas áreas palestinas, se uniu ao Hamas, que, mesmo sunita, viu em Teerã um aliado forte para se livrar do isolamento imposto pelos países árabes e Israel. Também formou uma forte aliança com a Síria, uma ditadura secular, mas, de certa forma, sob o controle político de uma elite alauíta e econômico dos sunitas.
Ao mesmo tempo que isso ocorria, o Irã se sentia ameaçado pelos Estados Unidos. Em 2003, a Guerra no Iraque era um sucesso e no Afeganistão também. A administração de George W. Bush advertia que os iranianos poderiam ser os próximos. Em 2005, foi eleito o radical Mahmoud Ahmadinejad (na foto acima) para presidente. Ele pode não ter todo o poder do Irã, onde quem comanda é o líder supremo, Ali Khamanei. Mas seu discurso assustou Israel. Logo, os israelenses começaram a se sentir ameaçados e, consequentemente, passaram a cogitar um ataque contra o Irã.
Com a possibilidade de ser atacado tanto por Israel e pelos EUA, o normal seria o Irã buscar uma bomba atômica. O regime de Teerã sabe que o armamento serve para conter os adversários. Os EUA nunca se meteram com o Paquistão, China e relutam em fazer algo contra a Coréia do Norte porque eles possuem armas nucleares. A arma, neste caso, não serviria para atacar. Por mais radical que seja o regime em Teerã, não há lógica em bombardear Tel Aviv ou Haifa. Em minutos, os americanos e os israelenses varreriam todas as cidades iranianas com mais de 50 mil habitantes do mapa. Sem falar que, no ataque às cidades israelenses, milhares de palestinos seriam mortos também.


O Tratado de Não Proliferação


Mas, mesmo que seja apenas para defesa, o Irã não pode ter estas armas por ser signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, ficando sujeito a leis internacionais. Precisa colaborar com a Agência Internacional de Energia Atômica. A decisão de integrar o tratado foi de Teerã. Ninguém os obrigou. Outros países não assinaram justamente por se sentirem ameaçados.
Israel, por exemplo, esteve envolvido em quatro guerras contra seus vizinhos, sem falar em conflitos contra grupos palestinos e libaneses. Com sua existência ameaçada, optou por desenvolver armas nucleares, garantindo assim a sua segurança, em vez de assinar o tratado. Oficialmente, os israelenses não negam e tampouco confirmam possuírem armas. A Índia e o Paquistão são inimigos. Como um se sente ameaçado pelo outro, levaram adiante uma corrida armamentista. Hoje, os dois tem armas nucleares e não são signatários.


Os indícios


Não dá para dizer com certeza se o Irã está em busca de armas nucleares. Mas há indícios, como uma usina pequena demais para fins civis, os obstáculos impostos às ações da AIEA, a falta de necessidade de energia nuclear em um país com petróleo abundante, os recentes testes com mísseis de médio alcance. Além disso, entra toda a lógica realista acima.
Pode ser que todos estejam errados, como foi o caso do Iraque de Saddam, onde também existiam indícios. Neste caso, o Irã estaria blefando para se mostrar forte, ao colocar todos estes obstáculos. Fica difícil saber.
Por enquanto, a tática do Ocidente é tentar dialogar. Se não funcionar, endurecer as sanções. Um risco de uma ação dos EUA é nula com Barack Obama no poder. Mas os americanos usam as ameaças de ataque preventivo de Israel como barganha na hora de falar com Teerã. Amanhã, vamos ver o que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e a Alemanha decidem em discussões com os iranianos em Genebra.


Os riscos


Antes de terminar, apenas para ficar claro, o Ocidente não quer que o Irã possua a bomba atômica porque 1) poderia haver uma corrida armamentista na região, com a Turquia e os países árabes buscando a bomba 2) o Irã poderia conceder uma bomba suja para grupos como o Hezbollah 3) os EUA não querem um país inimigo com o armamento 4) o regime de Teerã não é considerado confiável 5) Ameaçado, Israel poderia levar adiante um ataque preventivo e, em uma espiral, haver uma guerra regional em uma das regiões mais estratégicas do mundo.


Texto publicado no site http://www.estadao.com.br/ no dia 30/09/09

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Da Guerra - José Luís Fiori


Da Guerra


José Luís Fiori


Entre 1495 e 1975, as Grandes Potências estiveram em guerra durante 75% do tempo, começando uma nova guerra a cada sete ou oito anos. Mesmo nos anos mais pacíficos deste período, entre 1816 e 1913, estas potências fizeram cerca de 100 guerras coloniais. E, ao contrário das expectativas, a cada novo século, as guerras foram mais intensas e violentas do que no século anterior (J. Levy, “War in the modern Great Power System”, Ky Lexington, 1983). Por isso, se poder dizer que as guerras foram a principal atividade dos estados nacionais europeus, durante seus cinco séculos de existência e, agora de novo, o século XXI já começou sob o signo das armas. Mas, apesar disso, segue sendo um tabu falar e analisar objetivamente o papel das guerras na formação, na evolução e no futuro do sistema inter-estatal capitalista, que foi “inventado” pelos europeus, nos séculos XVI e XVII, e só se transformou num fenômeno universal, no século XX. Talvez, porque seja muito doloroso aceitar que as guerras não são um fenômeno excepcional, nem decorrem de uma “necessidade econômica”. Ou porque seja muito difícil de entender que elas seguirão existindo, mesmo que não ocorram enfrentamentos atômicos entre as Grandes Potências, porque elas não precisam ser travadas para cumprir seu “papel” dentro do sistema inter-estatal. Basta que sejam planejadas de forma complementar e competitiva.

À primeira vista, tudo isto parece meio absurdo e paradoxal. Mas tudo fica mais claro quando se olha para o começo desta história, e se entende que o sistema mundial em que vivemos, foi uma conquista progressiva dos primeiros estados nacionais europeus. E, desde os seus primeiros passos, este sistema nunca mais deixou de se expandir, “liderado” pelo crescimento competitivo e imperial de suas Grandes Potências, que lutam permanentemente para manter ou avançar sua posição relativa dentro do sistema. Por isto, tem razão o cientista político norte-americano, John Mearsheimer, quando diz que “as Grandes Potências têm um comportamento agressivo não porque elas queiram, mas porque elas têm que buscar acumular mais poder se quiserem maximizar suas probabilidades de sobrevivência, porque o sistema internacional cria incentivos poderosos para que os estados estejam sempre procurando oportunidades de ganhar mais poder às custas dos seus rivais...”. (Mearsheimer, “The tragedy of the great powers”, 2001: 21).

Neste processo competitivo, a guerra, ou a ameaça da guerra, foi o principal instrumento estratégico utilizado pelos estados nacionais para acumular poder e definir a hierarquia mundial. E as potências vencedoras - que se transformaram em “líderes” do sistema - foram as que conseguiram conquistar e manter o controle monopólico das “tecnologias sensíveis”, de uso militar. Por sua vez, esta competição pela ponta tecnológica, e pelo controle monopólico dos demais recursos bélicos, deu origem à uma dinâmica automática e progressiva, de preparação contínua para as guerras. Numa disputa que aponta todo o tempo, na direção de um império único e universal. Mas, paradoxalmente, este império não poderá ser alcançado sem que o sistema mundial perca sua capacidade conjunta de seguir se expandindo. Por que? Porque a vitória e a constituição de um império mundial seria sempre a vitória de um estado nacional específico. Daquele estado que fosse capaz de impor sua vontade e monopolizar o poder, até o limite do desaparecimento dos seus competidores. Se isto acontecesse, entretanto, acabaria a competição entre os estados e, neste caso, os estados não teriam como seguir aumentando o seu próprio poder.

Ou seja, neste sistema inter-estatal inventado pelos europeus, a existência de adversários é indispensável para que haja expansão e acumulação de poder, e a preparação contínua para a guerra é o fator que ordena o próprio sistema. Assim mesmo, como a “potência líder” também precisa seguir acumulando poder, para manter sua posição relativa, ela mesma acaba atropelando as instituições e os acordos internacionais que ajudou a criar num momento anterior. Ela é quem tem maior poder relativo dentro do sistema e, por isso, ela é que acaba sendo, quase sempre, a grande desestabilizadora de qualquer ordem internacional estabelecida.

Agora bem, a preparação para a guerra, e as próprias guerras, nunca impediram a complementaridade econômica e a integração comercial e financeira, entre todos os estados envolvidos nos conflitos. Pelo contrário, a mútua dependência econômica sempre foi uma peça essencial da própria competição. Às vezes, predominou o conflito, às vezes a complementaridade, mas foi esta “dialética” que se transformou no verdadeiro motor político-econômico do sistema inter-estatal capitalista e no grande segredo da vitória européia, sobre o resto do mundo, a partir do século XVII.

Entre 1650 e 1950, a Inglaterra participou de 110 guerras aproximadamente, dentro e fora da Europa, ou seja, em média, uma à cada três anos. E entre 1783 e 1991, os Estados Unidos participaram de cerca de 80 guerras, dentro e fora da América, ou seja, em média, também, uma a cada três anos. (M. Coldfelter, “Warfare and armed conflicts”, MacFarland, Londres, 2002). Como resultado, neste início do século XXI, os Estados Unidos têm acordos militares com cerca de 130 países, ao redor do mundo, e mantém mais de 700 bases militares, fora do seu território. E assim mesmo, devem seguir se expandindo - independente de qual seja o seu governo - sem precisar ferir necessariamente o Direito Internacional e sem precisar dar explicações a ninguém. Por isso, soa absolutamente cômica e desnecessária a justificativa de que as novas bases militares dos EUA, na Colômbia, tem a ver com o combate ao narcotráfico e a guerrilha local, assim como os argumentos que associam a instalação do escudo anti-mísseis dos EUA, na fronteira com a Rússia, com o controle e bloqueio de foguetes iranianos. Como soa ridícula, neste contexto, a evocação do “princípio básico da não ingerência” na defesa das decisões colombianas, polacas ou checas. Neste “jogo” não há limites e, por mais lamentável que seja, os “neutros” são irrelevantes ou sucumbem, e só lhes restam duas alternativas, para os que não aceitam aliar-se ou submeter-se à potencia expansiva: no caso dos mais fracos, protestar; e no caso dos demais, defender-se.


José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.


Texto publicado no site www.cartamaior.com.br no dia 09/09/09.

domingo, 2 de agosto de 2009

Política externa de Obama é alvo de críticas



Política externa de Obama atrai críticas de ambos os partidos


Republicanos e democratas estão insatisfeitos com posição dúbia do presidente sobre vários temas globais


Gustavo Chacra


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condena o golpe em Honduras, mas não retira seu embaixador de Tegucigalpa e evita se envolver diretamente no conflito que já se estende por mais de um mês. Obama mantém sanções à Síria, ao mesmo tempo que envia emissários para dialogar com o regime de Bashar Assad. Celebra os eleitores iranianos, enquanto demora para questionar as possíveis fraudes na votação de 12 de junho. Criticava a falta de um objetivo para George W. Bush no Iraque, e não delineia o que busca em sua empreitada militar na fronteira do Afeganistão com o Paquistão. Pede mais democracia no mundo árabe em discurso no Cairo, sem mencionar o nome de Hosni Mubarak (na imagem acima), que restringe as liberdades no Egito.

Esta dubiedade abre espaço para críticas de diversas frentes na política americana, tanto à direita quanto à esquerda. Seis meses após Obama tomar posse, republicanos e centros de estudo conservadores de Washington afirmam que a política externa da Casa Branca não age com a dureza necessária contra o regime de Teerã e, em breve, os iranianos terão uma arma nuclear.

Na América Latina, sua ausência permite, de acordo com analistas, o fortalecimento do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e de aliados como Daniel Ortega, da Nicarágua. Alguns programas conservadores da TV e do rádio nos EUA chegam a dizer que Obama faz parte da chamada coalizão bolivariana.No campo democrata, sua relutância em permitir investigações sobre os casos de tortura no governo Bush já provoca duras condenações entre entidades liberais americanas. O guerra no Afeganistão, que aos poucos domina a agenda política dos Estados Unidos, pode terminar mais impopular do que a do Iraque, segundo analistas consultados pelo Estado. Não apenas entre os americanos, mas também em outras partes do mundo.

Na Grã-Bretanha, as manifestações contra o conflito não param de crescer, apesar de Obama ainda desfrutar de enorme popularidade na maior parte do mundo, segundo pesquisa do instituto Pew.

"Os objetivos de Obama, na realidade, não são muito diferentes dos de Bush na maioria dos conflitos hoje no mundo", afirma o professor de política externa da Universidade Columbia, Bruce Cronin.

"Ele ainda tenta impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, como Bush, manteve a política de retirada das tropas do Iraque, iniciada no fim do governo anterior, vê riscos enormes no Afeganistão e age da mesma forma que Bill Clinton e Bush em relação à Coreia do Norte", disse Cronin.


ACORDO


O que mudou, segundo o especialista, é a forma de agir. Obama está mais aberto ao diálogo no Irã e nas questões do Oriente Médio. A Síria seria um dos principais exemplos. Para Cronin, Obama sabe que não há nenhuma lógica em manter relações estremecidas com os sírios "e deve chegar a um acordo em breve".

Segundo Gordan Adams, professor de Relações Internacionais da Universidade Americana e membro do Instituto Woodrow Wilson, em Washington, "a atuação de Obama é mais balanceada", seguindo uma linha mais realista e, consequentemente, menos neoconservadora do que Bush.

O atual presidente não quer interferir na política doméstica de outros países. "Obama não pretende ensinar a iranianos e venezuelanos como eles devem se governar", acrescentou.

De acordo com os dois analistas, em relação a Israel é possível observar uma alteração nas ações dos Estados Unidos. "Bush era claramente pró-Israel, enquanto Obama adota posição mais equilibrada", diz Cronin. "Ele entende melhor a questão palestina e o problema dos assentamentos", acrescenta Adams.

Na América Latina, segundo Christopher Sabatini, diretor do Council of Américas, em Nova York, Obama optou por se aproximar de líderes como o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e a do Chile, Michelle Bachelet, deixando um pouco de lado a prioridade em relação a Álvaro Uribe, da Colômbia, que é o favorito dos republicanos.

Seu principal problema, de acordo com o analista, é falta de uma equipe para lidar com as questões latino-americanas, como a atual crise de Honduras. Alguns integrantes do governo ainda dependem de aprovação no Congresso, como o indicado para subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela.

Adams e Cronin acrescentam que, apesar do atual conflito na América Central, a região não enfrenta um cenário tão complicado quanto o Oriente Médio e a Ásia Central. A falta de atenção de Obama seria um sinal de que a América Latina está estável.


Reportagem publicada no jornal Estado de São Paulo, no dia 02/08/09.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Saiba Mais - Golpe Militar em Honduras


Luiz Raatz, do estadao.com.br


A crise política em Honduras se agravou a partir de março quando o presidente Manuel Zelaya apresentou uma proposta para realizar um plebiscito sobre a criação de uma assembleia constituinte que permitisse a reeleição presidencial. Zelaya, que se elegeu por uma coalizão de centro-direita em uma acirrada disputa em 2005, se aproximou durante o mandato do presidente venezuelano, Hugo Chávez e tem enfrentado uma oposição cada vez mais severa da oposição hondurenha.

Em março, Zelaya propôs realizar um referendo para realizar em novembro uma Assembleia Constituinte. Segundo ele, a mudança constitucional era necessária para fazer as mudanças que Honduras necessita para se desenvolver. Entre as mudanças está a reeleição para presidente. Segundo a atual Carta Magna do país, promulgada em 1982, o mandato único do presidente da república é uma cláusula pétrea e não pode ser alterada.
Zelaya governa com minoria no Congresso, que é unicameral. Seu partido, o Liberal, tem 62 cadeiras, contra 55 do Partido Nacional e outras 11 de partidos opositores menores. Com a proposta do referendo, o presidente começou a perder apoio dentro do próprio partido.
Em Honduras, a Suprema Corte, que é apontada pelo Legislativo, também se posicionou contra a realização do referendo. Zelaya também tem uma relação difícil com os meios de comunicação. Em 2007, obrigou por decreto rádios e televisões a exibirem duas horas de propaganda do governo por julgar que a cobertura dos grandes veículos era tendenciosa.

Semana tumultuada

Na última semanas, a tensão entre o Executivo e os demais poderes e o Exército cresceu. O plano do presidente foi considerado ilegal pelo Congresso e pela Justiça. Na terça-feira, o Congresso aprovou uma lei que proíbe a realização de referendos ou plebiscitos 180 dias antes ou depois de eleições gerais, o que impossibilitaria os planos do presidente. Em seguida, o chefe do Exército, general Romeo Vasquez, disse que não ajudaria na organização do referendo para não desrespeitar a lei.
Líderes militares se recusaram a entregar urnas para a votação, uma decisão que levou à demissão do general Vasquez e à renúncia do ministro da Defesa, Edmundo Orellana. Os chefes da Marinha e da Aeronáutica também renunciaram em protesto.
Na quinta-feira, o presidente e seus simpatizantes entraram em uma base militar e retiraram as urnas que estavam guardadas lá.O Exército, por sua vez, colocou centenas de soldados nas ruas da capital, dizendo que quer prevenir que os aliados do presidente causem confusão.
No sábado, o presidente ignorou uma decisão da Suprema Corte para devolver o cargo ao chefe do Exército. "Nós não vamos obedecer a Suprema Corte", disse o presidente a uma multidão de simpatizantes em frente à sede do governo. "A corte, que apenas faz justiça aos poderosos, ricos e banqueiros, só causa problemas para a democracia."
No domingo, militares invadiram o palácio presidencial, prenderam Zelaya, ainda de pijama, em seu dormitório e o colocaram num avião para a Costa Rica. À noite, o Congresso leu uma carta atribuída ao presidente na qual ele renunciava, o que foi desmentido por ele, e o destituiu do cargo.


Perfil Manuel Zelaya


BBC e Estadão


José Manuel Zelaya, de 57 anos, era empresário e fazendeiro antes de se tornar presidente de Honduras. Tem 1,90 metro de altura e um visual chamativo: usa bigode, botas e chapéu de cowboy. Comunicativo, Zelaya foi eleito pelo direitista Partido Liberal, em 2005. Mas seu posicionamento político deu uma guinada espetacular para a esquerda ao longo do mandato, culminando na adesão de Honduras à Aliança Bolivariana das Américas (Alba), modelo de integração regional do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Apesar de suas credenciais de centro-direita, Zelaya se afastou de seus tradicionais aliados, entre eles os EUA. O hondurenho se aproximou cada vez mais de Hugo Chávez e outros países da 'esquerda bolivariana', como Equador, Bolívia e Nicarágua. Zelaya assumiu com a promessa de derrotar a pobreza e as gangues ligadas ao tráfico de drogas no país. Sem obter resultados expressivos, e cada vez mais próximo da Venezuela de Chávez, o presidente passou a sofrer mais pressão da oposição, majoritária no Congresso, na Suprema Corte e nos meios de comunicação.Em 2007, Zelaya ordenou que todas as estações de rádio e TV de Honduras exibissem propaganda do governo durante duas horas porque, segundo ele, os meios de comunicação não lhe davam cobertura justa. Em 2008, aderiu à Alba.Neste ano, tentou organizar um referendo para aprovar a realização de um plebiscito constitucional em Honduras, que permitiria a reeleição. Zelaya, no entanto, diz que não pretende seguir no cargo após o término do mandato. Zelaya nasceu em 20 de setembro de 1952, em uma família de madeireiros e fazendeiros de Olancho, no oeste do país. Chegou a cursar engenharia civil, mas abandonou os estudos para se dedicar ao trabalho nas terras da família. A origem rural de Zelaya transparece em seu apego à família (tem quatro filhos), na paixão por gado e cavalos e no gosto musical.Zelaya foi presidente de uma associação de industriais madeireiros e do conselho hondurenho de empresas privadas. Foi também diretor de um banco, mantendo-se em contato com a cúpula do empresariado de seu país. Como funcionário público, destacou-se pela atuação no Fundo de Investimento de Honduras, durante as obras de reconstrução de áreas devastadas pelo furacão Mitch (1998).

terça-feira, 16 de junho de 2009

Coréia do Norte - A Questão Nuclear


A República Democrática Popular da Coréia, mais conhecida como Coréia do Norte, é um país localizado no leste da Ásia, que ocupa 55% da região norte da península da Coreia.
O país faz fronteira com a República Popular da China, a Rússia e a Coreia do Sul, com quem formou um único país do século 7° até 1910, quando a península foi invadida e transformada em uma colônia do Império Japonês.
Em 1945, com o fim da ocupação japonesa, após a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Coreia foi dividida em duas partes, uma sob controle provisório dos Estados Unidos, outra leal à antiga União Soviética.
Os coreanos não foram consultados a respeito da divisão e, embora aprovassem o fim do império japonês, se opunham à presença estrangeira na península. Em 1948, dois governos distintos foram instituídos no norte e no sul, ambos reivindicando o controle central da península.
Tensões crescentes entre o sul e o norte resultaram na Guerra Civil coreana. Em junho de 1950, o Exército da República Popular da Coreia do Norte atravessou a fronteira para reunificar a península sob um regime comunista.
A guerra acabou em 27 de julho de 1953, quando a ONU (Organização das Nações Unidas), o Exército da República Popular Coreana e os Voluntários da República Popular da China assinaram um acordo de armistício. Desde então, uma zona desmilitarizada (DMZ, na sigla em inglês) separa o sul e o norte.
A economia da Coreia do Norte cresceu rapidamente na primeira década depois da Guerra da Coreia, mas depois sofreu um período de estagnação. Nos anos 90, uma crise financeira atingiu o país, depois da extinção da União Soviética e do colapso do comunismo nos países do Leste Europeu europeias -- antigos parceiros comerciais. Além disso, o regime liderado pelo ditador Kim il-Sung fracassou na produção de alimentos para a população.
Sob comando de seu filho e sucessor, Kim Jong-il, o país passou por períodos de extrema falta de comida no final dos anos 90, o que provocou uma crise humanitária que só foi minimizada devido a doações externas.
Apesar de uma ligeira recuperação nos últimos anos, o padrão de vida dos norte-coreanos continua baixo --entre os poucos dados disponíveis, calcula-se que a probabilidade de que uma pessoa não sobreviva até os 40 anos é de 10,7%, contra 2,5% na Coreia do Sul. Desde 1995, quando aconteceram grandes enchentes no país, os problemas de falta de alimentos e desnutrição aumentaram.
A esperança de que a Coreia do Norte abandonasse seu isolamento cresceu após encontros entre Kim e líderes da Coreia do Sul, em 2000, e do Japão, em 2002, mas diminuiu devido à preocupação internacional em relação ao programa de armas nucleares do país, revelado em 2002.
No ano seguinte, o governo norte-coreano retirou o país do tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e anunciou que havia alcançado progressos técnicos no desenvolvimento de armas nucleares. No mesmo ano, no entanto, o país aceitou participar de negociações sobre o programa nuclear com a Coreia do Sul, China, Japão, Rússia e os Estados Unidos, mas abandonou as conversações em 2005.
No ano seguinte, a Coreia realizou um teste nuclear e testou mísseis balísticos, mas, após a demonstração de força, retomou as negociações em dezembro. No ano seguinte, em troca de ajuda internacional e do descongelamento de fundos depositados no exterior, a o governo norte-coreano concordou em começar o fechamento de seu reator nuclear e a permitir a volta de inspetores da ONU ao país. Mas, desde então, o regime comunista tem utilizado ameaças de retrocesso na negociação como forma de mostrar a força da ditadura comunista e seu controle sobre o país.



Saiba mais sobre a Coreia do Norte:



Nome: República Democrática Popular da Coréia (Choson-minjujuui-inmin-konghwaguk)
Capital: Pyongyang
Divisão: nove Províncias e duas cidades especiais
População: 23.479.088 (julho de 2008)
Área: 120.540 km quadrados
Idioma: coreano
Moeda: won norte-coreano
Religião: confucionista, minoria budista

domingo, 26 de abril de 2009

Atividade Terceiro Ano - Formas de Governo






Associe os nomes de importantes líderes políticos com a forma de governo correspondente.






a)Absolutismo Monárquico
b)República Presidencialista
c)Monarquia Parlamentarista
d)República Parlamentarista
e)República Islâmica




1. Angela Merkel, política alemã.

2. Jose Luis Zapatero, político espanhol(na foto acima)

3. Luis XIV, governou a França de 1643 a 1715

4. Luis Inácio Lula da Silva, político brasileiro

5. Elizabeth II, da Inglaterra, no poder desde 1952

6. Abdallah, rei da Arábia Saudita desde 2005

7. Mahmoud Ahmadinejad, político iraniano

8. Silvio Berlusconi, político italiano

9. Barack Obama, político dos EUA

10. Cristina Kirchner, política argentina

11. Evo Morales, político boliviano

12. Nicolas Sarkozy, político francês

13. Michelle Bachelet, política chilena

14. Taro Aso, político japonês

15. Benjamin Netanyahu, político israelense

Respostas deverão ser enviadas ao email profandrecarreira@hotmail.com
Prazo: 04/05 (não serão aceitas respostas enviadas fora do prazo)

sábado, 18 de abril de 2009

Saiba Mais - Cúpula das Américas


Entenda o que está em jogo na 5ª Cúpula das Américas


Fabrícia Peixoto da BBC Brasil em Port of Spain


A quinta Cúpula das Américas, que está ocorrendo em Trinidad e Tobago, reúne 34 líderes de países americanos e tem como temas oficiais a prosperidade humana, a segurança energética e a sustentabilidade ambiental.
Entretanto, os principais assuntos das discussões devem ser a crise financeira internacional e Cuba - mais uma vez ausente na reunião.
Muitos dos chefes de estado presentes na reunião defendem que a ilha governada por Raúl Castro seja readmitida à Organização dos Estados Americanos, a OEA.
Mas os próprios cubanos deram sinais de que não estariam interessados em um confronto com o governo Obama, que tem se mostrado "aberto ao diálogo".
A BBC preparou uma série de perguntas para ajudar você a entender o que está em jogo no encontro na cúpula de Trinidad e Tobago:


O que é a Cúpula das Américas?


A Cúpula foi criada em 1994, por iniciativa do então presidente americano, Bill Clinton. O objetivo inicial era integrar toda a região em um único sistema de comércio, a Alca (Área de Livre Comércio das Américas). Depois de diversos impasses, principalmente entre Estados Unidos, de um lado, e o Mercosul, do outro, o assunto acabou sendo engavetado de vez no último encontro, em Mar del Plata.
O encontro em Trinidad e Tobago inaugura um novo modelo para a Cúpula, com temas variados. O resultado, segundo analistas, pode ser a "perda de foco", o que estaria já demonstrado na declaração final, considerada "ampla e genérica".


Quem participa?


Todos os países da América Latina, da América do Norte e do Caribe, com exceção de Cuba. Ao todo, são 34 países.


E por que Cuba não foi convidada?


A Cúpula das Américas segue uma série de recomendações da Organização dos Estados Americanos (OEA), instituição da qual o atual governo cubano foi desligado em 1962. Uma das regras da organização é de que seus países-membros promovam eleições democráticas e o pluralismo partidário.
No entanto, diversos países da região, entre eles o Brasil, defendem que a ilha seja reincorporada à instituição. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, classificou o fato de Cuba estar fora da OEA como uma "anomalia".


O assunto será discutido em Trinidad?


Oficialmente, o assunto não está na pauta. Mas como disse o chanceler Amorim, existe uma "agenda não escrita", que inclui Cuba e a crise financeira.
Os líderes presentes deverão tocar na questão cubana seus discursos, mas a cobrança terá tons diferentes. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, quer colocar o embargo dos Estados Unidos a Cuba como o principal tema da Cúpula.
No entanto, a Cúpula das Américas não tem poderes para reintegrar Cuba ao grupo. A instância para uma decisão efetiva sobre esse assunto é a assembleia da OEA, marcada para junho.


Qual a posição brasileira sobre o tema?


Apesar de também ser contra o embargo a Cuba, o presidente Lula deverá ser menos belicoso em seu discurso. Segundo o Itamaraty, o presidente Obama "é novo no cargo" e não faz sentido criar uma situação "negativa" no encontro.
Ainda de acordo com o Itamaraty, o próprio governo cubano não teria interesse em um confronto com o governo Obama, que tem afirmado sua disposição de "dialogar"."O presidente Lula vai a Trinidad ciente de que nem Obama, nem Cuba, estão interessados que o embargo se transforme na grande polêmica da cúpula", disse à BBC Brasil um interlocutor do presidente brasileiro.


Qual a importância dessa cúpula em Trinidad e Tobago?


A reunião acontece em meio a grandes expectativas. É o primeiro encontro do presidente americano, Barack Obama, com a maioria dos líderes presentes. De acordo com analistas, a América Latina e o Caribe tiveram pouco espaço na agenda internacional do governo George W. Bush e espera-se uma mudança de rumo com a chamada "nova diplomacia" da administração Obama.
Além disso, será também o primeiro encontro do presidente Obama com líderes de esquerda da América Latina com posições antiamericanas, entre eles Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Daniel Ortega (Nicarágua).


Existe a possibilidade de impasse, como em 2005?


Em 2005 os países discutiam um tema específico, ou seja, regras para implementação da Alca. Como não houve acordo, muitos analistas consideraram o encontro como um "fracasso".
Dessa vez, a polêmica gira em torno da questão cubana, já que a maioria dos países da região são contrários à postura americana em relação ao assunto.
Fala-se, ainda, de um possível constrangimento em função do discurso de Chávez em relação aos Estados Unidos. O líder venezuelano falou, inclusive, que "vetará" a declaração final da Cúpula, que será divulgada no domingo.

sábado, 28 de março de 2009

Política contra as drogas - EUA X UE



Política repressora contra as drogas opõe UE aos EUA

FLÁVIA MARREIRO e RAFAEL CARIELLO


da Folha de S. Paulo


Começa dividida, nesta quarta-feira, em Viena, a reunião final da Comissão de Narcóticos das Nações Unidas que deve divulgar, até amanhã, um novo documento que norteie a política internacional antidrogas.
O atual enfoque, de "guerra às drogas" e de repressão policial e militar à produção, ao tráfico e ao consumo de narcóticos, apoiado sobretudo pelos Estados Unidos, foi criticado nesta terça-feira (10) em um relatório da Comissão Européia (braço executivo do grupo de 27 nações). O relatório afirma que tal política falhou, já que o consumo e o tráfico de drogas aumentaram no mundo.
A expectativa, no entanto, é de manutenção, em grande parte, das políticas atuais, com concessões a medidas alternativas, orientadas pelo princípio de que a questão das drogas não deve ser tratada principalmente como um caso de polícia.
"O consenso [sobre a política anterior] foi rompido. A declaração final [da Comissão de Narcóticos] será um sintoma. É conservadora, mas eles tiveram que incluir uma série de temas, como a questão da prevenção da Aids", avalia Rubem César Fernandes, que está em Viena e é membro do secretariado da Comissão Drogas e Democracia, da qual participam ex-presidentes latino-americanos, entre eles Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
A comissão já vem trabalhando, com consultas aos países integrantes das Nações Unidas, no texto final, que oficialmente representa uma revisão prevista à declaração da Sessão Especial da Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre Drogas, de 1998.
É justamente esse texto que formalizou a repressão à produção, ao tráfico e ao consumo como pilares de uma política antidrogas. Um grupo de especialistas e ONGs reunidos no Consórcio Internacional para a Política de Drogas, a União Européia e alguns países latino-americanos defendem uma abordagem distinta, centrada na idéia de "redução de danos".
O argumento é que a ambição de conter por meios policiais o mercado da droga é pouco realista, marginaliza os usuários e impossibilita ações sociais e de saúde pública que poderiam controlar o uso e limitar os males causados pelas drogas.
A União Europeia afirma que o mundo "não está preparado para ir na direção" da legalização das drogas. Mesmo excluída essa hipótese, a inclusão do termo "redução de danos" --que a rigor significaria uma mudança da política antidrogas-- aparece no centro das divisões em relação ao novo documento.
Brechas
O representante dos EUA na Comissão de Narcóticos afirmou que o país se opõe à inclusão do termo, mas fez uma concessão quanto à possibilidade de um programa de apoio à distribuição de seringas para viciados em drogas injetáveis, que sob a Presidência de George W. Bush o país rejeitava.
Organizações que defendem a política de "redução de danos" dentro dos EUA, como a Drug Policy Alliance, esperam mudanças internas que sigam essa linha sob o governo de Barack Obama.
A provável nomeação de Gil Kerlikowske, chefe de polícia de Seattle, como novo responsável pelo tema no país, indicaria isso, já que Kerlikowske tem um enfoque menos "repressor" quanto ao tema. "No entanto, eu acho que é muito mais fácil uma mudança dentro dos EUA do que fora", afirma Ethel Nadelmann, diretor da ONG, descrente de uma inflexão na guerra global às drogas.
Fernandes avalia que, na discussão do texto final da ONU, a atual Casa Branca manteve posição dura, mas "abriu uma brecha para a inclusão da distribuição de seringas". "O que é importante, porque é o momento de fragmentação dessa política [apenas repressiva]."
O Brasil é representado na discussão por uma comissão liderada pela Secretaria Nacional de Políticas sobre as Drogas, ligada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência. No discurso que fará hoje em Viena, o ministro-chefe do GSI, general Jorge Armando Félix, deve citar o conceito de "redução de danos". Em 2006, o país aprovou lei mais tolerante com o usuário, que não prevê cadeia para quem for flagrado portando ou usando substâncias ilícitas, mas penas alternativas.
Ao lado, na imagem, gráfico publicado na Folha sobre o tema.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Atividade de Geografia Primeiro Ano - Ensino Médio


Elabore um texto relacionando a imagem acima com os itens "A apropriação do espaço geográfico" e "A apropriação do espaço geográfico e a questão ambiental", das páginas 8 e 9 do livro-texto de Geografia.


Respostas deverão ser enviadas até dia 20/02.

Após essa data, não será mais aceita.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Saiba Mais – Obama e a prisão de Guantánamo


Uma das primeiras medidas do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, foi a assinatura de um decreto que estabelece o fechamento da prisão de Guantánamo no prazo de um ano. O novo chefe de Estado também assinou outras duas ordens executivas que proíbem a tortura e os maus-tratos nos interrogatórios e o encarceramento de presos. Criada durante o governo George W. Bush em 2002, a prisão de Guantánamo, localizada em uma base naval em Cuba, era usada para prender suspeitos de terrorismo do mundo todo sem uma acusação formal.
Para entender um pouco melhor a relação complicada entre Washington e Havana, a província de Guantánamo, no leste da ilha cubana, representa um retrato do conflito. No local dividido entre dois inimigos ideológicos, separados por 145 quilômetros de mar e quase meio século de desconfianças. De um lado, está a cidade de Guantánamo, onde vivem 200 mil pessoas numa mistura de cultura soviética e colonial, carros americanos da década de 1950 e slogans revolucionários. Do outro, atrás de uma cadeia de montanhas, está a base americana de Guantánamo, casa de 10 mil soldados da Marinha, onde fica o único McDonald´s de Cuba e a mais controversa detenção do mundo, onde estão presos 248 suspeitos de terrorismo.
A base naval de Guantánamo é usada pelos EUA por mais de um século. A base tem 116 quilômetros quadrados e foi alugada por Cuba em 1903. Os EUA pagam cerca de US$ 4 mil por mês de aluguel, mas Cuba rejeita descontar os cheques. Visitar a fronteira com Cuba, guiada por um marine, é fazer um mergulho na Guerra Fria. Na fronteira, há uma cerca de três metros de altura, seguida de um campo minado de 2 quilômetros de extensão. É a única instalada num país que Washington não mantém relações diplomáticas.
Em 2002, Guantánamo se transformou em uma prisão militar para pessoas suspeitas de serem inimigos combatentes, capturados no Afeganistão e depois no Iraque. O governo americano de George W. Bush afirmava que os estrangeiros mantidos em Guantánamo, a maioria detida no Afeganistão, eram combatentes suspeitos de ligações com a milícia fundamentalista islâmica Taleban ou com a rede extremista Al-Qaeda, liderada pelo milionário saudita no exílio Osama bin Laden. A prisão abriga alguns dos terroristas mais perigosos do mundo, envolvidos nos ataques de 11 de Setembro de 2001, mas também muita gente inocente que não teve direito a julgamento. Em seis anos, mais de 750 pessoas estiveram presas nos campos. Discretamente, o governo já liberou ou transferiu para outros países mais de 500 pessoas sem nenhuma acusação formal.
O fechamento da prisão militar, muito criticada por denúncias de tortura de presos, era uma das principais promessas de campanha de Obama. Segundo o jornal The New York Times, a medida executiva deve enviar ainda ordens diretas para que a Agência Central de Inteligência (CIA) feche todas as prisões secretas dos EUA.
Considerada um símbolo de abuso dos direitos humanos, a prisão de Guantánamo desgastou a imagem dos EUA no mundo. A principal crítica aos julgamentos das comissões militares para os presos de Guantánamo era a possibilidade de serem aceitas provas ou confissões obtidas por coerção, por meio dos chamados "métodos aprimorados de interrogatório", considerados tortura por muitos e defendido pelo governo Bush.